Por que algumas mulheres sentem mais dor menstrual?

A dor durante o ciclo menstrual é um problema médico bastante comum, chamado de dismenorreia – termo de origem grega que significa “sangramento mensal doloroso”. A dor, geralmente localizada na parte inferior do abdômen, pode ser acompanhada de outros sintomas, como náuseas, vômitos, dor de cabeça, tontura.1,2

É uma queixa comum entre mulheres durante os anos reprodutivos, que a variação de mulheres que se dizem afetadas pela dismenorreia vai de 16 a 91%.1 Muitas mulheres podem sentir menos dor com o avançar da idade ou após terem filhos.2 Já entre adolescentes, um estudo científico mostrou que até 80% delas podem sentir dor menstrual.1

A dismenorreia é associada a um impacto negativo emocional, psicológico e funcional considerável.1

Há alguns fatores que podem predispor algumas mulheres a sentirem mais ou menos dor durante cada ciclo menstrual, e seria por isso que algumas podem sentir mais ou menos dor que outras.

Os fatores que podem predispor mulheres a sentir mais dor durante a menstruação são:1,3  

  • idade de até 30 anos;
  • tabagismo;
  • uso de álcool durante o período menstrual;
  • tentativas de perda de peso;
  • sobrepeso;
  • índice de massa corporal/IMC mais alto ou mais baixo que o normal;
  • depressão ou ansiedade;
  • ciclos menstruais mais longos, ou muito intensos;
  • primeira menstruação em idade muito jovem;
  • nunca ter tido filhos;
  • histórico de violência sexual;
  • problemas de cicatrização de cesárea;
  • histórico familiar de dismenorreia.

A dismenorreia pode ser classificada de duas formas: primária ou secundária.

Além desses fatores que podem predispor algumas mulheres a maior dor menstrual, a própria dor pode ter características distintas se a dismenorreia for primária ou secundária.

Vamos dar uma breve olhada em cada uma dessas classificações:

O tratamento da dismenorreia, ou dor menstrual

O objetivo do tratamento da dismenorreia é proporcionar o alívio adequado da dor, para que as mulheres possam desempenhar a maioria de suas atividades diárias.1

Apesar das possíveis diferenças entre a dor menstrual causada pela dismenorreia primária e secundária, o início de tratamento das duas formas é parecido, e se divide em estratégias farmacológicas e não farmacológicas.1,3

Dentre as não farmacológicas: aplicação de calor, exercícios físicos, dieta, acupuntura, orientação comportamental, entre outros.1,3

Quanto ao tratamento farmacológico, os anti-inflamatórios não esteroides são considerados a primeira opção de tratamento da dismenorreia, em geral usados por um a  dois dias.1,2

Acredita-se que, no caso de dismenorreia primária, que é a dor menstrual sem uma outra causa concomitante, ou seja, não é causada por outra doença coexistente, pode ser motivada pela liberação de certas substâncias, as chamadas prostaglandinas: elas aumentam a contração do útero e, assim aumentam a sensação de dor.1 Os anti-inflamatórios não esteroides atuam também para bloquear a produção dessas substâncias, as prostaglandinas.1


Referências

1 Nagy H, Carlson K, Khan AB. Dysmenorrhea. StatPearls [Internet]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560834/. Acessado em 31 de agosto de 2024.
2 ACOG. American College of Obstetricians and Gynecologists. Dysmenorrhea: Painful Periods. Disponível em: https://www.acog.org/womens-health/faqs/dysmenorrhea-painful-periods#:~:text=What%20is%20dysmenorrhea%3F,for%20several%20days%20a%20month. Acessado em 24 de outubro de 2024.
3 Johns Hopkins Medicine. Dysmenorrhea. Disponível em: https://www.hopkinsmedicine.org/health/conditions-and-diseases/dysmenorrhea. Acessado em 25 de outubro de 2024.
4 Cajaraville JP. Ibuprofen Arginate for Rapid-Onset Pain Relief in Daily Practice: A Review of Its Use in Different Pain Conditions. J Pain Res. 2021; 14: 117–126.

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