As relações entre dor e estresse

A relação entre estresse e dor é complexa, e se assemelha a um ciclo que se autoperpetua.1 Os dois processos, da dor e do estresse, compartilham diversas características conceituais e fisiológicas.2

A dor é uma sensação desagradável do aspecto sensorial e emocional, associada com dano potencial ou real.1-3 É um sinal do corpo de que algo está errado ou precisa de atenção.1

O estresse pode ser definido de forma ampla uma resposta natural e situações perigosas, sejam situações de perigo real ou apenas percebidas como perigosas. Ao sentir-se ameaçado, nosso organismo responde liberando hormônios como adrenalina e cortisol, o que causa aumento da frequência cardíaca, pressão arterial e níveis glicêmicos.1,2 O estresse é constantemente relacionado a impactos negativos na saúde, seja física ou mental.4 Está comprovado que o estresse crônico pode causar diversos problemas de saúde, além de causar ou até piorar a dor.1,2  

Dentre os diversos pontos em comum, o estresse e a dor compartilham vias neurais nas amigdalas, hipotálamo e córtex pré-frontal.1 Por essas meio dessas vias compartilhadas, o estresse pode intensificar os sinais de dor. Por sua vez, os hormônios do estresse podem alterar nossa percepção de dor.1

Além de o estresse poder piorar a dor, ela, por sua vez, pode ativar uma resposta de estresse do organismo, ampliando a percepção da dor, em um ciclo que se retroalimenta.1-4

Além disso, pacientes com dor crônica podem apresentar intolerância ao estresse, que é uma intensificação dos sintomas em resposta a qualquer tipo de estresse.4

Como a dor crônica leva ao estresse1

O impacto na vida social e profissional é considerável, pois fatores como o estado emocional podem agravar esse ciclo, e eventos estressantes aumentam a possibilidade de desenvolver dores musculares crônicas, além de aumentar a intensidade da dor.1-4 Isso pois as emoções negativas aumentam a percepção de dor e o estresse, se crônico, compromete a capacidade do corpo de lidar com a dor.1

Converse com seu médico para ter um plano de tratamento que inclua abordagens diversas, farmacológicas e não farmacológicas. Algumas alternativas não farmacológicas que podem ser consideradas são:


Referências

1. Stanford Medicine. The Stress-Pain Connection. Disponível em: https://www.stanfordchildrens.org/en/topic/default?id=the-stress-pain-connection-88-p11008#:~:text=Stress%20can%20make%20chronic%20pain,inflammation%20and%20pain%20over%20time. Acessado em 2 de setembro de 2024.

2. Abdallah CG, Geha P. Chronic Pain and Chronic Stress: Two Sides of the Same Coin? Chronic Stress (Thousand Oaks). 2017 Feb:1:2470547017704763.  doi: 10.1177/2470547017704763. Epub 2017 Jun 8.

3. International Association for the Study of Pain. IASP Announces Revised Definition of Pain. Disponível em: https://www.iasp-pain.org/publications/iasp-news/iasp-announces-revised-definition-of-pain/. Acessado em 2 de setembro de 2024.

4. Wyns A, Hendrix J, Lahousse A, et al. The Biology of Stress Intolerance in Patients with Chronic Pain—State of the Art and Future Directions. J Clin Med. 2023 Mar; 12(6): 2245.

5. Atlas Pain Specialists. The Connection Between Stress and Pain. Disponível em: https://atlaspainspecialists.com/the-connection-between-stress-and-pain/. Acessado em 21 de outubro de 2024.

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