Cólica menstrual muito forte: o que pode ser e quando se preocupar
A cólica menstrual muito forte pode ocorrer devido mecanismos fisiológicos, como aumento de prostaglandinas, ou condições secundárias, como endometriose ou adenomiose, exigindo avaliação clínica em caso de dor intensa ou persistente. Em caso de dismenorreia primária os AINEs são a primeira linha de tratamento.1,2
A cólica menstrual muito forte é uma queixa comum entre pessoas que menstruam e pode comprometer trabalho, estudo e atividades cotidianas. Embora muitas considerem essa dor normal, crises intensas não devem ser negligenciadas, especialmente quando afetam a qualidade de vida.1
Entre 2% e 29% das mulheres apresentam dor severa durante o ciclo, sendo que a intensidade é pior entre adolescentes e jovens adultas, grupo mais impactado pela forte intensidade.1
A seguir saiba o que pode ser essa condição, quando é sinal de alerta, como é feito o diagnóstico, quais doenças podem estar envolvidas e quais as opções de tratamentos para alívio rápido e seguro.
O que pode causar cólica menstrual forte?
A dor menstrual forte geralmente está relacionada ao aumento na produção de prostaglandinas, substâncias responsáveis por provocar contrações uterinas.1
Quando há níveis mais elevados, o útero contrai com maior intensidade, reduzindo o fluxo sanguíneo, gerando isquemia e aumentando o desconforto. Essa é a explicação mais aceita para os quadros de dismenorreia primária, que aparece sem doenças associadas.1
Por outro lado, quando ela é persistente, incapacitante ou associada a outros sintomas, é importante investigar causas secundárias, como endometriose, adenomiose, mioma uterino, fluxo menstrual intenso, dor pélvica crônica e até doença inflamatória pélvica (DIP).2
Essas condições podem promover processos inflamatórios e alterações estruturais que aumentam o desconforto e tornam a dor mais resistente ao tratamento habitual.2
Saiba mais: Por que algumas mulheres sentem mais dor menstrual?
Cólica menstrual muito forte: quando a dor passa do limite?
Considera-se que a dor da cólica menstrual ultrapassa o limite quando impede atividades comuns, como trabalhar, caminhar, estudar ou dormir.1
Outra característica relevante é a ausência de resposta ao uso de analgésicos ou anti-inflamatórios, sugerindo investigação de causas secundárias.1
Pesquisas revelam que mulheres com dor classificada como severa, especialmente quando atinge valores iguais ou superiores a 7 em escalas de intensidade, têm maior probabilidade de apresentar doenças como endometriose ou dor associada a processos inflamatórios e aderências pélvicas anormais.2
Quando ela ultrapassa três dias, surge fora do período menstrual ou se associa a náuseas intensas, diarreia, sangramento abundante ou dor durante relações sexuais, a dor deve ser avaliada, pois indica possível comprometimento pélvico e necessidade de investigação detalhada.1,2
Cólica menstrual: quando ir ao hospital?
Algumas mulheres ficam em dúvida sobre quando ir ao hospital ou pronto atendimento por conta da cólica menstrual intensa. Para segurança da paciente é necessário buscar atendimento imediato se houver:
- Dor súbita e muito intensa que não melhora com medicamentos usuais;
- Febre, mal-estar importante ou suspeita de infecção;
- Sangramento excessivo que causa tontura ou fraqueza;
- Desconforto localizado que aumenta progressivamente, o que sugere complicações como cistos rotores ou infecções pélvicas.2
Quadros severos podem indicar doenças como a DIP, que exige tratamento rápido para evitar sequelas reprodutivas. Do mesmo modo, sintomas persistentes podem sinalizar endometriose avançada ou adenomiose, exigindo avaliação especializada.2
Assim, buscar atendimento emergencial é fundamental quando a situação ultrapassa o habitual ou vem acompanhada de sinais sistêmicos relevantes.1,2
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico e avaliação dos sintomas. O profissional costuma investigar a idade de início da dor, duração do ciclo, intensidade das crises, resposta a medicamentos e histórico familiar, já que a tendência genética é relevante em doenças como endometriose.1
Quando há suspeita de causas secundárias, podem ser solicitados exames adicionais como ultrassonografia transvaginal para identificar lesões, endometriose, alterações uterinas e sinais de aderências.2
Em adolescentes ou pacientes não sexualmente ativas, exames abdominais ou ressonância magnética podem ser alternativas de boa precisão diagnóstica.2
A avaliação criteriosa evita diagnóstico tardio e permite identificar quadros como adenomiose, mioma uterino, doenças que causam cólica e condições que contribuem para a evolução da dor pélvica crônica.2
Quais são as causas da dor forte durante a menstruação?
Mais frequentemente, a dor menstrual apresenta causas primárias. Nesses casos, não há doenças associadas e o quadro está ligado ao aumento de prostaglandinas, resultando em contrações uterinas mais vigorosas e significativas.1
Em mulheres mais velhas, o problema pode estar associado a causas secundárias, incluindo condições ginecológicas que amplificam a dor, como:
- Endometriose: presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, gerando inflamação e aderências. É a principal causa de dismenorreia secundária em jovens, frequentemente associada a cólica menstrual incapacitante;
- Adenomiose: infiltração de tecido endometrial no músculo uterino, aumentando fluxo e desconforto;
- Mioma uterino: pode provocar compressão e aumentar o fluxo menstrual intenso, intensificando cólicas;
- DIP (Doença Inflamatória Pélvica): processo infeccioso que pode causar dor pélvica associada à menstruação e contribuir para quadros de dismenorreia secundária.2
Essas condições explicam muitos casos de dor forte durante a menstruação e reforçam a importância da investigação adequada quando a dor é frequente, intensa ou progressiva.1,2
Como posso tratar uma cólica menstrual muito forte?
O tratamento e manejo da cólica dependem da causa, mas envolvem estratégias farmacológicas e medidas complementares.
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são considerados a primeira linha de tratamento para cólica menstrual muito forte por reduzirem a produção de prostaglandinas e melhorarem rapidamente a dor.1,3
Para melhor eficácia, recomenda-se que o uso da medicação ocorra entre 1 a 2 dias antes do início esperado do sangramento e seja mantido nos primeiros dias do ciclo.1
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Leia também: Ibuprofeno para cólica: como esse medicamento pode ajudar
Os métodos hormonais também podem ser indicados para reduzir sangramento e atenuar contrações, sendo úteis tanto em quadros primários quanto em dismenorreias secundárias relacionadas a endometriose.3
Entre as opções, destacam-se contraceptivos combinados e o DIU de levonorgestrel, conforme avaliação individualizada.3
Já entre as medidas não farmacológicas é possível recorrer ao calor local, com bolsa térmica, e exercício físico regular. Ambas as práticas apresentam evidências na redução da intensidade dos sintomas e podem ser combinadas ao tratamento medicamentoso para melhora adicional.3
A cólica menstrual muito forte merece atenção e avaliação especializada. A dor intensa pode estar ligada tanto a alterações fisiológicas quanto a doenças como endometriose ou adenomiose, exigindo diagnóstico preciso e tratamento orientado.1,2
Caso ela seja incapacitante, persistente ou associada a outros sintomas, buscar ajuda médica é essencial.1,2
Veja ainda: Cólica fora do período menstrual: causas comuns e como aliviar
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Referências
1. Itani, Rania et al., 2022. Primary Dysmenorrhea: Pathophysiology, Diagnosis, and Treatment Updates. Disponível em: https://www.kjfm.or.kr/journal/view.php?number=4607
2. Martire, Francesco et al., 2023. Endometriosis and Adolescence: The Impact of Dysmenorrhea. Disponível em: https://www.mdpi.com/2077-0383/12/17/5624
3. Kirsch, Elayna et al., 2024. Dysmenorrhea, a Narrative Review of Therapeutic Options. Disponível em: https://www.dovepress.com/dysmenorrhea-a-narrative-review-of-therapeutic-options-peer-reviewed-fulltext-article-JPR
4. Cajaraville, Juan Pérez. 2021. Ibuprofen Arginate for Rapid-Onset Pain Relief in Daily Practice: A Review of Its Use in Different Pain Conditions. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33531831/
5. Novalbos, Jesús; Santos, Francisco Abad. 2006. La arginina mejora la eficacia y seguridad del ibuprofeno. Publicado em Actualidad en farmacología y terapêutica.
6. Cattaneo, Dario; Clementi, Emilio. 2010. Clinical pharmacokinetics of ibuprofen arginine. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20925647/
7. Bula Spidufen®, Zambon Laboratórios Farmacêuticos Ltda. Disponível em: https://spidufen.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Bula-SPIDUFEN.pdf
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SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO. SPIDUFEN É UM MEDICAMENTO. SEU USO PODE TRAZER RISCOS. PROCURE O MÉDICO E O FARMACÊUTICO. LEIA A BULA.
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